Síndrome do túnel do carpo – por Henrique Ayzemberg

A síndrome consiste na compressão do nervo mediano em um túnel inelástico existente na face volar do punho, chamado de túnel do carpo. Trata-se do local de compressão nervosa mais comum deste local.

Quais são os sintomas?

O quadro clínico pode ser vago, como dor difusa, adormecimento e fadiga muscular, evoluindo até alterações das funções sensitivas, motoras ou tróficas, porém são sempre limitadas à distribuição e ao território do nervo mediano (polegar, indicador, dedo médio e metade radial do dedo anelar). É comum o paciente referir hipoestesia diminuição da sensibilidade) nas mãos à noite, sendo necessário levantar-se para friccioná-las. A dor ou a sensação de desconforto pode irradiar-se até o ombro e ser contínua ou intermitente e é exacerbada pelo movimento, força ou uso excessivo das mãos.

Quais são as causas?

Os tendões flexores (que passam dentro do túnel do carpo) estão envoltos por tecido sinovial (membrana) que os nutre e permite um perfeito deslizamento. Este tecido sinovial pode sofrer processo inflamatório devido a várias patologias, aumentando o volume dentro do túnel inelástico e levando à compressão do nervo, como pode ser visto na artrite reumatóide, por exemplo. Além disso, outras patologias sistêmicas podem estar associadas à STC, como o diabetes, alterações hormonais relacionadas à menopausa, gravidez, gota, amiloidose, mieloma múltiplo, alterações da tireóide, insuficiência renal, tumores (lipomas, cistos, neurofibromas), abscessos etc. Alterações anatômicas, como aquelas que ocorrem após fraturas, também podem ser causa de STC.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é baseado na história clínica e exame físico do paciente, que envolve algumas manobras clínicas para reprodução dos sintomas. Alguns exames complementares também auxiliam no diagnóstico, como: Eletroneuromiografia (ENMG), ultrassonografia e radiografia, nos casos de alterações ósseas que estejam provocando compressão do nervo mediano.

Como se trata?

O tratamento correto depende da identificação da causa da compressão. Quando a STC é a manifestação de alguma enfermidade sistêmica, deve ser identificado e tratado o processo básico. Nesse caso, a regressão da síndrome não será rápida. Quando a compressão é de origem ocupacional, não se conseguirá nenhum alívio sem afastamento da causa que a desencadeou. O tratamento, portanto, é individualizado e pode ser dividido em conservador e cirúrgico. O conservador é preconizado para pacientes com quadro clínico leve, pouco tempo de evolução, sem alterações tróficas ou doenças sistêmicas definidas. O cirúrgico está indicado quando não há resposta ao tratamento conservador, nos casos de longa duração ou quando há atrofia da musculatura tenar. A técnica utilizada em nosso serviço é a mini-incisão, que proporciona excelentes resultados.

 

Henrique Ayzemberg

Cirurgião da mão e membro superior

Membro da SBOT – Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

Membro da SBCMão – Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão

Membro da Fundação AOTrauma Internacional

Presidente da Regional Sul da Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão

 

*Matéria realizada para Revista Premier

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